ÉPOCA NEGÓCIOS-Mastercard aposta na personalização para atrair millennials

03 de Julho de 2019

Quais vantagens o seu cartão de crédito te oferece? Talvez você até saiba algumas delas, como o programa de milhas, mas a maioria das pessoas recebe essas informações em um folheto assim que o cartão chega e nunca mais olha para aquilo. Pensando em como mudar isso, a Mastercard vai lançar, no segundo semestre deste ano, o Mastercard ON, uma plataforma digital que permite que os usuários escolham quais benefícios querem do cartão de crédito. O C6 Bank, banco digital criado por ex-executivos do BTG Pactual, será o primeiro no mundo a oferecer o programa, que deve ser expandido para outras instituições financeiras e países.

 

 

É uma tentativa de nos aproximarmos dos consumidores, principalmente dos millennials, que esperam mais personalização, afirma Michael Miebach, Chief Product Officer global da Mastercard. Em entrevista a Época NEGÓCIOS, ele explicou como a empresa desenvolveu essa solução e os motivos de o Brasil ter sido o escolhido para o lançamento.

 

Por que vocês sentiram a necessidade de criar esse novo produto, o Mastercard ON?Reparamos em uma mudança no consumo e fizemos várias pesquisas sobre o comportamento dos millennials aqui no Brasil, para garantir que não estávamos apenas assumindo certas coisas. O consumidor atual é completamente “mobile first”. Portanto, é preciso construir a sua relação com ele a partir do smartphone. Em segundo lugar, ele quer que os serviços sejam entregues a ele de uma forma interessante, usando a tecnologia. Isso é muito diferente de receber um e-mail pela manhã informando quais serão as ofertas no final de semana, completamente fora de contexto. E o mais importante: ele não quer o que todo mundo tem, mas sim serviços e ofertas que sejam relevantes para ele.

 

E por que o foco no Brasil?

Há uma população jovem, ansiosa para se envolver com novas tecnologias. É um mercado onde a adoção dos cartões é muito saudável. Projetamos um crescimento de 39% do e-commerce no Brasil. Além disso, temos essa mudança de sentimento do consumidor, e um deslocamento para os pagamentos online. É a tempestade perfeita — ou a oportunidade perfeita — para entregar um produto pensando nessas características.

 

Como funciona o Mastercard ON?

É uma experiência que envolve tudo o que está associado ao cartão, dos pagamentos aos benefícios. O usuário poderá configurar a sua experiência, escolhendo quais os benefícios que o atendem melhor, por exemplo. Digamos que você viaje frequentemente. Nesse caso, é muito importante ter seguro para bagagem. Mas, se em algum mês você não for viajar, poderá trocar de benefício. Devemos [num segundo momento] expandir essa abordagem para o resto do mundo.

 

Quando falamos em personalização, há sempre a questão de como são tratados os dados pessoais. Como a Mastercard assegura a privacidade dos dados dos clientes?

Essa é uma questão importante. Decidimos expandir os princípios do GDPR [regulação europeia sobre dados pessoais] para todo o mundo, porque concordamos com eles e achamos que podem servir como referência para novas regulações em todo o mundo. Há uma tensão positiva entre personalização e uso de dados. Sem os dados, você só consegue oferecer coisas genéricas a todo mundo. Enquanto consumidor, quanto mais dados você fornece, mais personalização recebe. Mas há diferenças em relação a quanto as pessoas de diferentes países e diferentes faixas etárias estão dispostas a fornecer de dados em troca da personalização. Os millennials, por exemplo, são mais abertos.

 

Na sua opinião, o open banking é benéfico para o setor bancário?

O open banking torna obrigatório que bancos deem acesso aos dados dos clientes a terceiros com o consentimento do correntista. Portanto, se eu tenho uma conta no banco, e digo a ele que quero que meus dados sejam compartilhados com uma fintech, essa startup poderá usá-los para me fazer uma oferta de crédito, por exemplo. Isso vai impulsionar muita inovação no mercado. É uma oportunidade para todos. Os bancos vão enfrentar um tipo de concorrência que não tinham no passado. Precisarão ser ágeis em adotar novas tecnologias. É necessário ainda assegurar que o open banking seja feito de uma maneira segura, porque haverá potencialmente vários atores com acesso aos dados bancários do cliente. É uma questão que o setor ainda precisa resolver.

 

Qual a sua visão sobre a adoção de pagamentos via QR Code? Isso cresceu muito na China, e há várias empresas começando a testar a tecnologia no Brasil.

Achamos que tudo que amplia os meios eletrônicos de pagamento é positivo. No Brasil, a aceitação de cartões tradicionais é muito boa. Há soluções baratas mesmo para pequenos comércios. Nós achamos que o próximo passo é o pagamento contactless, em que você apenas aproxima o cartão ou o celular do terminal de pagamento. É provavelmente a melhor experiência para o consumidor, porque não é preciso digitar a senha ou abrir um aplicativo. É o método que mais cresce em aceitação. O pagamento via QR code é interessante, e se expandiu muito na China, mas cresceu em um vácuo onde não havia outras formas digitais.

 

 

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