CORREIO 24 HORAS - Troca de pontos de programas de fidelidade por produtos e viagens cresce 15% na atual crise

16 de Novembro de 2015

Dá para utilizar estes pontos para abastecer o carro, fazer compras no mercado e até para pagar luz e água

Com o aperto nas contas este ano, o trabalhador tem se virado como pode para garantir uma grana extra. Neste cenário, os programas de fidelidade que permitem trocar pontos acumulados por produtos e serviços são uma moeda alternativa valiosa. 

Afinal, quem não quer ganhar prêmios ‘de graça’? Apesar da principal forma de uso ainda ser associada a passagens aéreas, dá para utilizar estes pontos para abastecer o carro, fazer compras no mercado e até para pagar luz e água. 

O número de pontos resgatados no país cresceu cerca de 15% entre os meses de janeiro e outubro. Já a troca de pontos de fidelidade por produtos e serviços quase triplicou em algumas empresas.

“Funciona como uma caderneta de poupança. Quando a pessoa  coloca combustível, faz compras, acumula pontos. No final, ela terá uma poupança de pontos, que podem ser resgatados e trocados por uma série de produtos ou serviços”, explica o presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (ABEMF), Roberto Medeiros. 

“Embora o cenário seja positivo, o segmento de fidelização ainda tem muito a crescer. Cerca de 92% da população da Austrália participa deste tipo de programa. Nos Estados Unidos são 44,5% e, aqui, apenas 8,6%”, complementa Medeiros, que também preside a rede Multiplus, do Grupo TAM, composta por  empresas e programas de fidelização.

Entre janeiro e setembro de 2015, a rede registrou um crescimento de 9,5% no total de pontos resgatados na comparação com o mesmo período do ano passado. O crescimento é resultado de um aumento de 6,4% no número de resgates de passagens  e um incremento de 37,2% de itens não aéreos. “O campeão de resgate no último bimestre foi o aspirador de pó. Com esse desafio na economia, as pessoas estão aproveitando os pontos para ajudar no seu dia a dia”, diz.

Na Smiles, a quantidade de pontos resgatados pela Gol cresceu 2,3% em setembro deste ano, em relação ao mesmo período de 2014. Já o número de pontos provenientes de outros produtos cresceu 253%. O volume de resgate na rede LTM cresceu 39% de 2014 para 2015. Em alguns segmentos, como recarga de celular e Pague Suas Contas, o crescimento chegou a 170%.

Consumo
Mesmo com a alta do uso de pontos com outros produtos, o foco de muita gente ainda é acumular para viajar. A  empresária Milene Araújo, de 50 anos, por exemplo, acumula pontos em três cartões de crédito e já fez diversas viagens.

“Já fui para Minas, São Paulo, Espírito Santo, Argentina, Chile etc. Muitas vezes, mudo a forma de pagamento por conta dos pontos, mas só compro o que preciso”, conta. “Pago à vista se tiver desconto. Se não, uso o cartão para acumular”, completa.

O engenheiro civil Marcos Gonçalves, 28, também prefere focar  nas  viagens, mas já utiliza os programas de fidelidade para conseguir outros brindes. “Faço parte do Km de Vantagens, do Ipiranga, e do Premia, da Petrobras. Com isso, pago o cinema  uma vez ao mês”, conta ele, que irá para o Chile em dezembro com passagens compradas com milhas.

“Comprei duas passagens de ida e volta por 72 mil milhas e só paguei as taxas”, diz. “Sempre uso o cartão para acumular milhas, mas nunca ultrapasso o orçamento”.

Segundo o consultor da empresa especializada em varejo financeiro Boanerges & Cia, Rafael Durer,  é preciso tomar cuidado para não perder o controle no crédito na busca por pontuar. “Se não acompanhar de perto, pode acabar comprando o que não precisa e se surpreender no fim do mês”, afirma.

Sócio da empresa de monitoramento de programas de fidelidade Oktoplus, Bruno Nissental ressalta que atualmente existem diversas formas de usar os pontos. “Uma opção é resgatar em hotéis. Dá para pagar o café da manhã etc. Já os pontos do cartão podem ser transferidos para uma das grandes redes, que possuem parcerias com diversas marcas”, afirma.

Segundo ele, o aumento da quantidade de pontos destinada para compra de produtos é perceptível, sobretudo no comércio online. “Dá para trocar pontos e comprar no Netshoes, Ponto Frio, etc”.

Para ele, as pessoas preferem trocar por passagens porque há uma relação com o dinheiro na cabeça delas. “Com 10 mil pontos dá para comprar uma passagem que custaria R$ 700. Com os pontos, dá para comprar um tablet de  R$ 200”, compara.

Para ele, os pontos -  concedidos aos clientes em troca da sua fidelidade - são uma boa saída em tempos de crise.  “É uma moeda alternativa e segue a linha do ‘desconto’, que o brasileiro gosta”, garante.

Como funciona 
O uso do cartão de crédito é uma das maneiras mais fáceis para acumular pontos e trocar por passagens, produtos e serviços. “A quantidade de cartões que oferece a opção é imensa e cada um tem suas regras de acumulo e transferência de pontuação”, afirma Nissental.

Também dá para ganhar pontos com compras em empresas parceiras destes cartões - desde companhias aéreas até supermercados e sites de compras. Normalmente, os cartões oferecem pontos de acordo com o que foi gasto no mês.

Há cartões que associam o cliente a programas de milhas de maneira automática. Já outros fazem com que os clientes transfiram pontos para as redes de fidelidade. O acúmulo dessa pontuação segue a fatura mensal do cartão.  Na maioria dos casos, esse valor é convertido em dólares - e para cada dólar gasto é creditado 1 ponto por fidelidade.

Outra forma de garantir uma grana extra é vendendo milhas aéreas através de uma empresa especializada. As ofertas ficam disponíveis em sites como MaxMilhas ou Hot Milhas. Basta cadastrar e, assim que um outro usuário selecionar a oferta, o vendedor recebe os dados para emissão da passagem. “Para evitar fraudes, não compartilhe sua senha”, recomenda Medeiros, da ABEMF.

A dica dele para quem quer otimizar a arrecadação de pontos é que as pessoas escolham um programa e fiquem nele, “para juntar pontos suficientes e conseguir um benefício de valor”.

Direitos
Seja qual for o programa, é essencial ler atentamente ao regulamento. “As regras são estabelecidas nos contratos de uso e são estabelecidas pelo fornecedor, inclusive no que tange ao vencimento de pontos”, explica o diretor  do Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-BA), Iratan Vilas Boas.

Atualmente, as empresas são obrigadas a informar os prazos de forma clara. “Mas, foi enviada para o Senado uma proposta que determina prazo mínimo de dois anos para a validade de pontos mantidos por empresas de serviços. No caso de milhas, a proposta de prazo é de três anos”, diz.

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